Talvez seja por já estar fora do país há algum tempo, mas as próximas presidenciais parecem-me ter algo de grotesco, com os dois principais candidatos a apresentarem sinais de senilidade, um porque não fala e o outro porque quando fala não faz sentido. É verdade que numa população envelhecida, eles provavelmente representam a futura maioria, mas também é verdade que com o aumento da taxa de desemprego, deveriam aproveitar a reforma e não tirar o lugar a quem o pode e deve exercer de forma mais eficaz. Contribuiriam mais para o bem estar do país se doassem a sua generosa reforma à Segurança Social, um gesto mais simbólico do que eficaz, que ainda assim ajudaria a fazer mais felizes os últimos anos de alguns milhares de reformados.
O maior exemplo de serviço ao estado no antigo império romano foi o do imperador Tàcito, que, aos 75 anos, gozando já a sua merecida reforma depois de ter sido senador toda a vida, acedeu ao apelo dos soldados e foi nomeado imperador. Mas nem a esfinge, nem a múmia têm o apelo popular de um Tácito, nem a lucidez para servirem o país, antes pretendem servir-se dele. Seria bom que estas eleições escapassem à lógica bi-partidária e que nenhuma das reliquías egípcias ganhasse, mas isso provavelmente seria sonhar demasiado alto.
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