14 novembro 2005

"Judge me all you want, just keep the verdict to yourself."

Afinal quem decide quem amamos, a quem damos o nosso coração? O nosso próprio Coração, diriam uns, a Razão, diriam outros, o Destino, atirariam ainda outros… Não! O Conselho Executivo de um Liceu perto de si, digo eu…Essa entidade com ensejos de Cupido. O episódio, pelos vistos, não é novo e conta-se em poucas palavras: uma iluminada auxiliar de educação ao presenciar o afecto traduzido num beijo entre duas pessoas, por sinal adolescentes e do mesmo sexo, resolve gritar a plenos pulmões:”Olha duas fufas!”…Bem, não adianta realçar a preciosidade da pérola de sabedoria que escapou da goela desta criatura…Importa sim realçar as consequências deste “alarme”. As duas pessoas em questão, por sinal adolescentes e do mesmo sexo, foram repreendidas pela entidade com ensejos de Cupido por ousarem demonstrar o que sentiam uma pela outra, imagine-se, em público!... Como se isso não bastasse, foram proibidas todas e quaisquer “demonstrações de afecto”, imagine-se, em público, naquele Liceu!...
Pois então, aparentemente ao Conselho Executivo deste Liceu perto de si é permitido regular e restringir as manifestações amorosas entre pessoas, neste caso adolescentes e não só do mesmo sexo. Digo isto porque não vi nenhum acto ou palavra enérgica de censura ou desaprovação da parte de quem tem o dever de se pronunciar sobre esta aberração. Logo, houve aqui, algures entre o caso Joana e os discursos idiotas do Soares, uma qualquer aprovação tácita, um silêncio tudo menos reprovador.
Alguém descobre o que está mal neste quadro? Alguém vislumbra de que modo é que a atitude levada a cabo, ao que eu parece, não apenas por este Conselho Executivo mas por vários outros por esse país fora, consegue não ser discriminatória, atentatória das mais básicas liberdades pessoais, violadora do Princípio da Igualdade do art. 13.º da Constituição da República Portuguesa e de vários outros princípios demasiado numerosos para referir? Eu não…E haverá alguém a quem isto não revolte e repugne? Não me parece…
E as pérolas de sabedoria repetem-se quando vemos como o povo se manifesta quanto a isto…É ver uns palonços “mentally challenged” dizer que o que é preciso é respeito, que “essas coisas” são para ser feitas em casa, que a escola é para aprender…Aprender o quê, pergunto eu? Que não existe direito à diferença? (Aliás, que diferença?...) Que as relações entre duas pessoas, por sinal adolescentes e do mesmo sexo, são condenáveis?
Fica então o aviso: tal como é proibido fumar nos locais públicos, incluindo Liceus, por graves riscos à saúde pública, também não é permitido o afecto entre adolescentes, deus nos livres se do mesmo sexo!, por graves riscos à moral pública.
"I have no color prejudices nor caste prejudices nor creed prejudices. All I care to know is that a man is a human being, and that is enough for me; he can't be any worse." Mark Twain

2 comentários:

  1. Realmente...o pessoal das escolas é que decide o nosso futuro amoroso.
    1º Porque a maioria das pessoas tem namoros dentro da turma ou com pessoas que são amigas de colegas de turma.E são os gajos que fazem os horários e as turmas.Escolhem-nos os amigos e inclinam-nos para as namoradas
    E agora é isto...
    Quero ir trabalhar para uma escola. Fazer de Deus do amor. Sempre é melhor que ser advogado estagiário. EH EH

    Duarte

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