28 novembro 2005

O regresso

A saudade só é compreendida quando é sentida, esse querer estar longe para querer estar perto, esse delicioso pungir de acerbo espinho, como lhe chamou o poeta. É o paradoxo de ser português, termos de sair para querermos voltar, inflingimos a dor para sentirmos o prazer da cura. Nada no mundo me pagaria neste momento o poder olhar a ribeira a partir da janela da sala da minha casa, mesmo com chuva, relâmpagos e trovoada, tempestades frio e granizo. Tudo me parece feio porque não está aí, tudo o que me é próximo está distante e nunca esteve tão perto. Mas agora chegou a hora. A hora do regresso, que ainda que breve, vai matar esta sede insaciável, por uns demasiado breves momentos. Depois... Depois, é o regresso à nostalgia e ao contar dos dias que faltam até ao próximo regresso.

1 comentário:

  1. snuff... como te percebo! para ti um reflexo do que os meus olhos vêm uma ribeira com chuva, nevoeiro e frio...que espera por ti.. eu tambem!

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