02 novembro 2005

Se...

Se conseguires manter a cabeça enquanto os outros

A vão perdendo e te vão deitando as culpas

Se conseguires confiar em ti quando duvidam todos

Mas fores tolerante com as dúvidas

Se conseguires esperar sem te cansares com a demora

Ou, se na presença da calúnia, não cederes à mentira

Ou, se sendo odiado, não deixares entrar o ódio

E todavia permaneceres sóbrio e humilde nesta vida

Se conseguires sonhar, sem ter o sonho como monarca

Se conseguires pensar, sem ter o pensamento como meta

Se conseguires encarar a sorte e a desgraça

E as tratares como duas faces da mesma moeda

Se suportares ouvir as verdades que falares

Distorcidas por homens mal intencionados,

Ou, se vendo destruído aquilo por que te sacrificares,

Ajoelhares e reconstruires com instrumentos desgastados

Se puseres todos os teus ganhos num monte,

E arriscares tudo num momento,

E, se perderes, e começares de novo,

Sem falar daquilo que perdeste.

Se conseguires forçar o coração, o nervo e o músculo

A servirem-te quando já contigo não estiverem,

E a continuarem quando tiveres perdido tudo

Menos a Vontade que lhes diz aguentem, esperem...

Se conseguires falar às multidões, e manter a tua virtude

Ou caminhar entre reis sem perder a humildade,

Se aos ataques de inimigos ou feridas de amigos fores imune,

Se para ti todos os homens contarem, mas nenhum demasiado,

Se conseguires preencher o implacável minuto

Com sessenta segundos merecedores do caminho percorrido,

Tua é a Terra, e do que nela reside teu é tudo

E, mais importante, serás um Homem meu filho

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