Acordo a meio da noite… Escrevo, escrevo, escrevo… E, insatisfeita com o produto final, começo de novo. Começo, recomeço e volto a começar de novo, outra vez. Aborrece-me não conseguir exprimir os meus pensamentos no papel. Eu costumo dizer que é porque o pensamento é muito mais rápido que a minha escrita.
Não é que a minha mente esteja propriamente vazia… Alturas há em que eu bem desejava que estivesse. Mas eu penso, penso, penso a toda a hora, todos os minutos, em todos os lugares. Só não consigo é escrever aquilo que penso. E portanto, tenho que estruturar o pensamento para que se deixe de devaneios e responda ao meu desejo. (Por o pensamento a responder perante os meus desejos… Onde é que eu ando com a cabeça?)
Isso não interessa para já. O facto é que são 05h44 da manhã. Já estou a escrever há mais de uma hora e meia e continuo insatisfeita com o resultado.
A minha mãe acorda e diz - Ainda estás a pé? Não lhe respondo… Não quero interromper o raciocínio com a emissão de uma palavra, sequer. Apesar disso, passam-me pela mente milhentas respostas possíveis e imaginárias. Mas continuo calada.
Ela volta para a cama e eu fico, de novo, sozinha a lutar com o pensamento, ou melhor, com a falta de exteriorização dele.
E depois penso… Porque é que em raios eu estou a escrever? Nunca gostei de o fazer. É que, não tenho nenhuma veia artística que possa fazer com que o que eu escreva deva ser lido por qualquer outra pessoa. Encontro utilidade em escrever, mas muitas vezes não lhe encontro objectivo. Ou se calhar encontro os dois e eles identificam-se com a mera busca egoísta do meu ser.
E não acham chato ter que ler os meus devaneios? Afinal de contas, se eu escrevo para mim apenas, o que eu digo não vos desperta um mínimo de interesse. Nem a vossa leitura do que eu escrevo poderá, de algum modo, ajudar-me a encontrar o meu “eu”.
Ai! Que aborrecido deve ser para os outros ler esta minha busca pessoal e achar que me conhece. Ninguém me conhece verdadeiramente. Nem eu me conheço a mim.
O meu “eu” não existe enquanto essência em si, facilmente apreensível pelos sentidos alheios. Ele define-se e redefine-se na minha busca incessante, nas minhas experiências pessoais, na minha interacção com o mundo que me rodeia.
Mas também, quantos de vocês é que se interessam em conhecer o meu verdadeiro “eu”? Ninguém. Ninguém tem mais interesse em conhecer-me a mim do que eu própria. E se eu não me conheço, como é que alguém poderá vir a conceber a hipótese de me conhecer?
Não pode!! E eu até me entrego bastante bem nas relações interpessoais que mantenho, bem de mais até, por vezes, mas… Vocês nunca me vão conhecer. Porque não o conseguirão. E será que eu alguma vez o vou conseguir? Hmmm… Acho difícil, mas vou continuar a tentar. Digamos só que eu não gosto de desistir…
Portanto, se nunca me vão conhecer a mim, parem de ler isto e comecem a pensar. Este exercício também é vosso, sabem?
Ufa! Satisfeita por o meu pensamento ter acalmado e me ter permitido delinear uma conclusão, constato que são 06h02. Posso agora finalmente entregar-me ao canal TeleVendas até conseguir voltar para o lado de lá, de onde nunca deveria ter saído…
…
Bem, já são 07h49 da manhã. Acabei por não conseguir dormir, por muito que tenha tentado.
A minha mente encontrava-se habitada por um turbilhão de ideias a distrair-me. Cada uma delas a levar-me para um mundo ficcional completamente diferente…
Em compensação consegui assistir à maravilha que é ter o dia a invadir-me o quarto. Uma das coisas que me dá mais prazer é estar deitada na cama, acordada ao amanhecer, quando os passarinhos do vizinho começam a cantar.
“I saw the sun go down and now it’s coming up, somewhere in the time between” (P. J.)
Dormi 4h30, mas… Sinto-me mesmo bem.
Tenham um bom dia nas vossas vidas.
és grande...mto bem mmo! gostei...valeu a pena a insonia...;)
ResponderEliminarBrigada, mano:) Últimamente as insónias têm-me servido para muita coisa... Lol. Tem corrido bem :)
ResponderEliminarHellos primo:)
ResponderEliminarAs insónias, por acaso, só têm sido minhas amigas ultimamente. Dão-me a clarividência que me tem faltado durante as horas diurnas. De resto, tenho é que treinar a força de vontade... But the wheel is in motion... Now we'll just have to wait it out...
Obrigada pelo comment:)