Volto finalmente às lides amnésicas… Só não voltei antes muito possivelmente…por esquecimento…e voltei para discordar do que defendeu a Selfchosen. Apenas porque há uma ou outra incoerência no discurso dela. E será incoerência se atentarmos ao que se passa na vida quotidiana de todos nós…Basta para isso traçarmos um paralelo entre o uso de drogas para os fins referidos e o uso de tecnologia que se tornou tão banal nos dias que correm. Reparem, vamos de automóvel para todo o lado e caminhar é um verbo que raramente se conjuga. Usamos o telemóvel para uma comunicação muito mais cómoda e se saímos de casa sem ele é o caos. Quem vive hoje em dia sem Internet? Quem se imagina sem televisão? E quem a troca por um livro? E se nos tirassem o cinema? Alguém já vive sem o DVD?
Se usamos a tecnologia para ir mais longe no espaço ou para ganhar tempo…se a usamos como meio de alienação…porque não usar as substâncias (ilícitas…) para ir mais longe dentro de nós próprios? Se admitimos que somos imperfeitos então porque não diminuir esse intervalo que nos separa da perfeição recorrendo aos meios ao nosso alcance? Facilmente se constata que tanto as substâncias como a tecnologia são meios externos que nos permitem uma realização mais fácil dos nossos objectivos, sejam eles criativos ou de outra natureza. Então porque condenar um e louvar o outro?
Apenas porque o input social é o de que: “Drugs are bad…” e tecnologia é o nosso deus na Terra…Se concordo? Hell no! Não é tão fácil de ver que nos viciamos muito mais rapidamente no uso da tecnologia do que no uso das drogas? Mas não é este o input a que somos sujeitos diariamente? Que a tecnologia é sinónimo de Felicidade, qual “Admirável Mundo Novo”( se bem que neste Mundo também a soma tem papel indispensável nessa mesma Felicidade…).
O uso da tecnologia não nega igualmente a nossa condição humana? Ou podemos defender que a optimiza? E as drogas negam o nosso processo criativo ou será que o optimizam?
Eu sou um enormíssimo fã de Tool. Além de músicos geniais e inovadores, em muitos aspectos inigualáveis, e pelo que li e vi sobre eles, enquanto indivíduos são verdadeiramente únicos. E é essa imparidade enquanto indivíduos que lhes permite atingir o génio enquanto músicos. Quando se diz que “não são eles que verdadeiramente fazem” as músicas, acho impensável poder concluir-se isso apenas porque se exploram com recurso a substâncias. Não acredito que fosse eu usar as mesmas substâncias e seria capaz de chegar ao génio musical destes senhores. Se sim, então “point me to your dealer…”. Criar, compor não é, seguramente, o mesmo que ordenar um computador a uma qualquer tarefa. Funcionamos a algo mais complexo que 0 e 1. Resumindo, para que seja possível exteriorizar o génio é preciso que ele exista. O modo como se exterioriza é secundário.
Somos seres humanos e, felizmente, todos abençoados por uma multidimensionalidade. Diferimos apenas na vontade e necessidade de explorar essas várias dimensões. Concordo que nem sempre podemos alcançar o nosso subconsciente e, por conseguinte, que todo o nosso potencial (vastíssimo, diga-se…) se exponencie, mas daí até negligenciar esse potencial apenas porque o input social condena o modo como o atingimos, parece-me ser a negação da própria condição humana, da nossa própria existência enquanto indivíduo autónomo.
Drugs are not bad, people are bad. Technology is not bad, people are bad. Qualquer mau uso de ambos leva num primeiro grau à alienação total e num último grau à destruição. E como tudo, é uma questão de escolha e ainda bem que podemos escolher, conquanto saibamos que qualquer escolha tem consequências.
“Every human has four endowments: self awareness, conscience, independent will and creative imagination. These give us the ultimate human freedom…The power to choose, to respond, to change.” Stephen R. Covey
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