28 abril 2006

A ti.

Estou deitada… Nua, sob os lençois… Inocente…

Tu entras no meu quarto sem seres convidado.

Nunca te vi antes, no entanto sinto que te conheço. Que sempre te conheci. Só nunca te havia visto. Nunca havia fixado nos teus olhos. E que olhos… Perder-me-ia neles em qualquer momento. Tal como estou agora. Perdida…

Sinto-me indefesa e… Sinto-me segura. Nunca havia sentido o que tu me estás a fazer sentir neste momento.

Fecho os olhos para me forçar a reiniciar a respiração. É que ficou suspensa desde que te vi. A minha temperatura aumenta instantaneamente. Sinto que vou desmaiar e… Sinto-me mais viva do que nunca.

Tu aproximas-te de mim e revelas as tuas presas. Deveria assustar-me, mas não… São hipnotizantes. São reveladoras de todo o ascendente que exerces sobre mim. E eu que sempre tentei ser controladora… Constantemente a reprimir os meus desejos mais profundos. Mas perante ti, todas as minhas defesas claudicam.

Recorrendo a tudo o que me é possível luto para manter as minhas forças e não me entregar facilmente. Luto para manter a minha personalidade…

Mas desde que entraste, viste imediatamente através de mim. Viste tudo o que fui, o que sou e o que serei. Viste tudo e… Não viste nada. Nada existe em mim para além de ti. Eu só não o sabia… Ainda. Talvez o sentisse desde sempre, só que estive em negação durante toda a minha vida. Agora eu sei, que tu fazes parte de mim. Adquiri a certeza.

Quando sentes que tomei consciência do que representas em mim / para mim, avanças impiedosamente. Eu esboço um movimento de resistência fingida.

Face a ele, paras por momentos. Isto excita-te e diverte-te.

Ansiedade… Intensifico a minha respiração e contraio involuntariamente todos os músculos do meu corpo. A tua breve paragem deixou-me louca. Quero-te com todas as forças do meu ser / do teu ser em mim. Quero-te… Só.

Sacrifico-me perante ti, meu altar, aqui e agora. Entrego-me… E tu, pura e simplesmente aceitas.

Inspiro, inspiro, inspiro… Encho os meus pulmões até ao limite da sua capacidade. Já os consigo sentir comprimidos e limitados pelo gradeamento imposto pelas costelas. O meu sangue, plenamente oxigenado. O meu cérebro em êxtase, de antecipação. Órgãos plenamente lubrificados. Estou pronta para me tomares como tua. E por favor, vem…

Já na vertical, encostas o teu corpo ao meu, afasta-me o cabelo e… Violas ardentemente os meus tecidos. Até que… Sinto o sangue morno a escorrer ao longo de todas as curvas do meu corpo, e do teu.

São as tuas forças que me seguram e me sustentam. Aqueles 3 minutos nos teus braços valeram bem a vida que te entreguei. E valeriam todas as outras vidas que te pudesse entregar. E olha que eu o faria sem pensar duas vezes.

Orgasmo completo… Como nunca nada ou ninguém alguma vez foi capaz sequer de aflorar em mim.

Fui só tua, toda tua, naquele momento em que me privaste da vida. E agora serei tua para sempre. Só tua, toda tua. De mais ninguém.

Permaneço imóvel em teus braço, que invadem o meu cadáver como se ainda houvesse réstia de vida nele. Mas não há. Toda a minha vida agora é tua… Sempre foi, mas só agora é que chegou a confirmação que sempre desejamos… Que eu desejei… Sempre. Sou tua… Sou tu…

Para toda a eternidade…

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