A arte é o oposto da vida no sentido em que o importante não é o caminho percorrido mas a meta a atingir. A vida nega-se no seu fim, enquanto que a arte se cumpre nele. Discutir os meios como se atinge a obra de arte, quem a faz ou como a faz é irrelevante. A arte não é moral e só se pode julgar a obra não o artista. Ao contrário do que muitas vezes se diz, os grandes artistas e os grandes génios também morrem, é a obra que nos deixam que é imortal. Se julgássemos a obra através de quem a cria, como poderíamos justificar o génio dessa obra magistral da literatura inglesa que é o Morthe d'Arthur, escrito como foi por um violador e um assassino?
Quanto ao recurso ao uso de drogas ou da tecnologia, que importância tem? O que interessa é o resultado, a forma como é atingido fica ao critério de cada um. O artista não é mais do que um veículo através do qual a obra se exprime e não o contrário, uma vez concluída a obra existe independente de quem a criou. Afinal nem os artistas são deuses, são apenas uma imitação, mas ninguém o disse melhor do que esse grande veículo de visões sublimes, Shakespeare:
"What a piece of work is a man! how noble in reason!
how infinite in faculty! in form and moving how
express and admirable! in action how like an angel!
in apprehension how like a god! the beauty of the
world! the paragon of animals! And yet, to me,
what is this quintessence of dust? man delights not
me"
Ok. Tens alguma razão. Eu é que tenho um problema em lidar com a arte em-si porque acho que ela deveria cumprir mais alguma função na sociedade que não apenas a de possibilitar a mera fruição egoísta. Eu tendo a atribuir ao artista o papel de formador de mentes. E tendo a olhar para ele como um quase-Deus, na medida em que ele tem importantes responsabilidades no destino e evolução da humanidade... Talvez esta minha posição derive de defeito meu, que não consigo apreciar a arte pela arte, tendo logo imediatamente que lhe atribuir um sentido teleológico intrínseco. Daí que pra mim, o artista não seja só mais um "ninguém"... Mas, de facto, tenho que admitir que não tem as virtualidades que lhe atribuo...
ResponderEliminarDefeito meu, concerteza. Pois... Ninguém é perfeito.