28 maio 2006

Quem sou eu?

O nosso ser interior revela-se nas nossas reacções às situações com que somos confrontados e nas nossas relações com os outros. Eu acredito que as nossas reacções a um determinado conjunto de factores que as condicionam e determinam, a que se chamam experiências, são sempre um reflexo de quem nós somos verdadeiramente, ou seja, do nosso verdadeiro “eu”.

Nesta medida, todas as acções que fazemos são integralmente nossas já que derivam de uma qualquer vertente do nosso ser interior. E assim, por elas, temos que ser responsabilizados integralmente.

Nada de dizer “Coitado, ele não sabia como reagir porque foi confrontado com circunstâncias anómalas”. Na realidade todas as situações são anómalas. Nenhuma das nossas experiências está sujeita a repetição porque há sempre variantes. Quanto mais não seja, é o nosso ser interior que altera, pois que este está sempre em constante transformação, quer seja em adaptação ao que o rodeia, quer seja em reacção ou oposição a isso, quer seja pura e simplesmente em evolução ou crescimento.

Consequentemente considero a reflexão sobre o ser uma vertente essencial na nossa evolução enquanto seres humanos. Creio que só através desta meditação podemos melhor beneficiar das experiências com que somos confrontados, no sentido do aperfeiçoamento de quem nós somos ou mesmo até da definição a priori de quem queremos ser.
Eu acredito mesmo que através da reflexão direccionada para o interior podemos adaptar o “sein” ao “sollen”, o ser ao dever ser. (Muito agradecida ao PFC pela introdução dos conceitos).

Em termos muito simples, se, em face de uma concreta experiência o meu ser determinou que eu praticasse uma determinada acção, esta não será mais do que um reflexo do ser face às circunstâncias. Mas se nós acharmos que a concreta atitude não corresponde à atitude que deveríamos ter tomado, então deveríamos sobre ela reflectir de modo a melhor podermos adaptar o nosso ser à noção daquilo que deveríamos ser. Temos a adaptação do real, ainda que se trate de um real sem suporte físico, ao nosso ideal, sendo que só uma atitude próxima desta levará ao aperfeiçoamento e desenvolvimento interiores. Enfim, à evolução do ser.

Nada de útil têm, e de nada nos serve ter as experiências se sobre elas não reflectirmos e não evoluirmos em conformidade com o ideal que temos.
Que sentido teria eu cometer sempre o mesmo erro face a situações semelhantes? Os erros são para serem corrigidos, melhorados, aperfeiçoados, extintos, de modo a conseguirmos aproximar o nosso ser um bocadinho mais do ser ideal (perfeito). É que, se não tendermos para a perfeição nunca nos vamos superar, permanecendo os mesmos seres humanos limitados e imperfeitos. Vamos aproximar-nos mais dos animais que vivem em função de meia dúzia de instintos básicos e estaremos a afastar-nos daquilo que nos caracteriza enquanto seres humanos, que é a Razão.

Eu sei que nenhum de nós pediu para nascer. E que viemos ao mundo fruto de uma decisão de alguém que algures na história decidiu gerar-nos, mas… agora que estamos aqui, não nos cabe a nós fazer alguma coisa? Não nos cabe a nós aproveitar o que nos foi dado e evoluir, superar, idealizar, concretizar, lutar, evoluir?... Enfim, usar da razão para adaptar o nosso ser concreto ao ser ideal?

O meu desejo é que nãos nos falte vontade. Vontade para fazer a mudança e para afastar a mediocridade da rotina que nos afoga na normalidade e nos afasta do destino de grandiosidade inerente ao ser humano.

A mudança é possível, basta querer.

4 comentários:

  1. Eu diria mais... Eu diria que a vida é complicada... Bastante complicada... Antes fosse dead easy...

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