"Why do we struggle so hard for control? Because we know to loose it is to put our fate in the hand of others."
Um dia destes estava a assistir, passiva, a um episódio de “Desperate Housewives” quando, a dado momento fui confrontada com aquela proposição vinda da narradora.
Há certas frases que, pela sua simplicidade conseguem resumir e organizar muito do nosso conflito interior. Às vezes creio que é mais do tipo de uma revelação daquilo que nós já sabemos mais ainda não conseguimos vislumbrar por falta do necessário afastamento do problema que nos permita a clarividência desejada.
E eu, que normalmente sou uma pessoa controladora, que gosto de planear ao pormenor todas as variantes das minhas experiências e eventuais reacções às alterações de factores, percebi imediatamente o sentido da frase. Ou antes, tomei-a logo como minha e atribui-lhe um significado intrinsecamente meu.
Sem por em causa o facto de vivermos num mundo habitado por pessoas e de não conseguirmos a realização do ser de outro modo que não através da interacção com o outro, tendo sempre a suspeitar. Que interesse teria eu em confiar o meu destino ou o rumo a dar à minha vida nas mãos de um “outrem” qualquer? Ou nesta sequência, nas mãos de uma entidade superior qualquer?
O outro é sempre tendencialmente egoísta, porque o somos todos, ainda que como mero reflexo do nosso instinto de sobrevivência. O outro pensará sempre primeiramente em si antes de pensar em nós. O outro usar-nos-á para cumprir os seus objectivos e as funções a que se propõe, dispensando-nos necessariamente quando deixamos de ter a utilidade que nos atribui.
Então, para quê deixar que os outros guiem a nossa vida e decidam por nós? Claro que viver custa muito mais do que ser apático. Claro que custa pensar, ver que há coisas no mundo ou em nós que nos revoltam, e custa mais ainda, face a tudo isto, ter que agir. Claro que custa! Nada na vida vem embrulhado com um lacinho em cima. É preciso lutar, lutar constantemente. A vida é uma batalha.
Qual é a finalidade de desistirmos? De entregarmos a nossa vida de bandeja a alguém que a gerirá por nós? Para quê deixarmos a vida passar-nos ao lado como se não nos pertencesse? E para quê deixar alguém usufruir dela como se fosse sua própria, apenas para a deitar ao caixote quando perde a sua utilidade? Para quê? Qual a finalidade desta atitude face à vida?
É claro que tal atitude traz sempre associada uma certa dose de segurança, de estabilidade, de conformismo… Enfim, dá a aparência de que “All’s well that ends well”. Tipo aqueles finais felizes dos filmes.
Mas a vida não é um filme. Longe disso… Bem longe disso… Quando o Príncipe encantado chega para nos levar a cavalo em direcção ao por do sol, é raro, senão de todo impossível, dizer que a nossa história teve um final feliz. Isto porque a nossa função não passa apenas pela mera entrega ao outro com o objectivo de procriar e assegurar a sobrevivência da espécie.
Creio que nos cabe a nós tomar conta das nossas próprias vidas, tomar opções, viver de acordo com aquilo em que acreditamos, assumirmos a responsabilidade… Enfim, de sermos nós a decidir, a realizar, a aprender com os erros, e a assumir a RESPONSABILIDADE. Ninguém fará isso melhor que nós próprios. Até podemos fazê-lo melhor (senão melhor, pelo menos diferente será sempre) se tivermos o Príncipe encantado do nosso lado a ajudar-nos a ultrapassar as nossas dificuldades pela mera intelecção da sua presença ou da sua existência. Mas… Temos que ser nós a assumir o controlo das nossas próprias vidas sob pena da entrega cega ao outro resultar na perda do ser.
Vale sempre mais viver do que desistir. Desistir é morrer. E morrer sem a noção do dever cumprido equivale a nunca termos vivido. É a nulidade, a inutilidade… É o nada. E para quê contentarmo-nos com o nada quando podemos ter tudo?
Assombra-me este texto que escreveste pelas mais diversas razões e traz-me à memória o slogan do Maio de 68: " Seja razoável, exija o IMPOSSÌVEL!" ...
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Lol. Pois... De facto essa sou eu... Sempre a exigir o impossivel... Sou uma inconformada... O que tenho não me chega, nem chegará alguma vez... Mas como eu digo muitas vezes, prefiro morrer a tentar do que desistir à partida;)
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