Snuff, como é óbvio não podia deixar de comentar este texto...
"todos os feitos que fazemos sao motivados pelo medo da morte e pela esperanca numa vida melhor para alem dela" --> Pois... No meu caso, eu fiz uma escolha diferente. Eu, depois de muito pensar, escolhi não acreditar. Ou seja, quando eu ajo, não o faço por medo da morte, mas por vontade de ser feliz. Porque eu já assumi, para mim, que o nosso "meaning of life" aqui na terra é sermos felizes. E já decidi que não existe nada para além disto. Ou seja, para poder viver a minha vida de modo descansado, eu escolhi não acreditar. Acho que é mais uma questão de segurança e de responsabilização como modo de estar na vida.
Por isso eu não ajo por medo da morte. Até porque, da minha perspectiva, não há que ter medo da morte, porque depois dela vir, já nada mais fará diferença porque nós não estaremos aqui para nos preocuparmos com o assunto.
Eu não tenho esperança de evitar a morte. Eu até desejo que ela venha, pois a morte é uma coisa natural, que não pode ser olhada com um mínimo de desconfiança ou temor. Desde que eu vi a minha primeira autópsia que isto se tornou tudo muito claro para mim... Quando o corpo morre, não resta mais nada. A consciência desaparece, e com ela desaparece tudo... As preocupações, o medo, as inseguranças e incertezas... Resta apenas e paz... O descanso total. Um descanso que é um reflexo da inexistência que vem após a passagem para o estado de morto.
Vá, estou para aqui a escrever e estou a sorrir, porque percebo que a morte é das coisas mais naturais que existem. Eu costumo dizer que a morte nem é boa nem é má, mas sim neutra. São poucas as coisas que são neutras neste mundo, temos que as apreciar pela raridade que representam e pela justiça que trazem adjacente.
"Mas a ilusao de que as ondas nos obedecem, da-nos o alento de continuarmos a viver" --> No meu caso é a ficção criada por mim de que nada mais existe que me dá o alento de continuar a viver. Se eu acreditasse que existia um deus aí algures responsável pela minha criação e pelo meu destino, a minha vida deixaria de fazer sentido. Isto porque a minha liberdade não seria mais minha nem seria mais liberdade. E acho que não existe na vida nada tão essencial e tão unicamente nosso como a liberdade humana. Se eu não acreditasse na liberdade dificilmente teria enveredado por uma dedicação tão grande ao Direito e à Justiça.
Se as minhas opções de vida são apenas uma ficção criada por mim para me fazer sentir melhor e conseguir viver com mais segurança, isso não sei. O que me interessa é que são as minhas opções e que segundo elas vivo a vida que quero, acreditando sempre que tenho a liberdade de me auto-construir a cada momento.
Por isso eu tento agir sem medo. Eu normalmente sou muito determinada (e digo normalmente porque ultimamente tal não tem sido a regra) e costumo agir sempre de acordo com as minhas convicções mais íntimas. Por vezes vou agindo até bater tantas vezes com a cabeça na parede que ou vai ou sai sangue, mas... Sou sempre eu a agir, sempre de acordo com as minhas convições... Porque eu tenho a plena liberdade para o fazer. Eu posso fazê-lo. Eu sou livre:)
Amigo, este teu texto despertou em mim certezas antigas... Certezas que eu já havia esquecido. Obrigada por mas trazeres de novo à memória:)
best regards, nice info
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Best regards from NY! »
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