21 setembro 2006

Hoje

“What do I feel what do I say, fuck you it all goes away”

São X horas. Estou sentada no meio da estrada. Sentada em cima do traço contínuo. Estou sozinha sentada bem no meio, mas não me consigo equilibrar. Estão a empurrar-me de ambos os lados mas não me consigo equilibrar.
Quero voar, mas cada vez estou mais enterrada.
Continuo sozinha. Enfiaram-me numa caixa de papel. Não vejo qualquer saída, mas também estou demasiado fraca para rasgar o cartão. Não dependo de mim.
Todos me empurram para um lado e para o outro e eu não consigo encontrar o meu equilíbrio. Não consigo equilibrar os pratos da balança. Não me consigo equilibrar sobre o traço contínuo.
Bebo um shot de realidade. A minha cabeça cai no chão imediatamente.
Pra minha sorte a cabeça racha e o cérebro cai à minha frente. Vejo o sangue inundar, ao seu ritmo, a linha outrora branca.
Tento em vão, com os dedos, fazer sentido de toda aquela confusão. Tenho o cérebro nas mãos, mas não sei como se arranja. Alguém sabe como arranjar isto? É tão complicado…
De repente chegam os pássaros todos. Alguns pousam nos meus braços a olhar pra mim. Mas os outros, em vez de me ajudarem a reodenar a confusão, põem-se a tirar bocados.
O meu cérebro! O meu precioso cérebro! Tudo o que de melhor há em mim a ser despedaçado à minha frente. Não aguento a dor do desperdício e penso: se há alguém que me vai destruir, esse alguém vou ser eu. E pego e engulo o meu cérebro inteiro.
Mas acho que ele estava estragado. Tinha veneno e não funcionava bem. Já não funcionava bem há muito tempo. O veneno entrou-me nas veias e fez-me parar o coração. Pura e simplesmente deixou de bater…
O momento mais feliz da minha vida. O momento em que o coração deixa de bater. O momento em que eu deixo de sentir. Pena é que eu tenha que ter destruído o cérebro pra chegar a este ponto. À felicidade. Mas sem ambos, estou morta. Inerte no chão duro / cama eterna.
Fico apenas à espera que sejam cumpridas as minhas determinações feitas em vida. Que disponham do meu cadáver de modo adequado. Mas como paguei com antecedência a incineradora espera por mim de braços abertos. Só ela é que me ama. E eu a ela para sempre.

“What do I feel what do I say, in the end it all goes away”

Não me queres vir buscar hoje?

4 comentários:

  1. desenha-me uma ovelha *

    e no meio dessa rua, desse desiquilibrio que atormenta, estava uma caixa... e lá dentro tinha uma ovelha! shhh ... as pessoas grandes nao acreditam nisto :$

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  2. Uma ovelha !!?!

    Pois, lá está... É exactamente assim que eu me sinto hoje, depois da tempestade de ontem à noite...

    Gosto muito de ovelhas porque são fofinhas e queridas. Mas não quero ser ovelha. Não quero passar a minha vida num rebanho a ser mandada para um lado e para o outro. Wanna stand on my own two feet again...

    Hoje já me sinto com mais força pa despir a lã e enfrentar o mundo... Mas... Pra já continuo ovelha. :)

    Obrigada pelo comentário :)

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  3. My Dearest , don't know much about what's on your mind , don't know much about you , and don't have any idea of seem's to be your problems!
    But one thing i know whatever goes arrond comes arrond , so if only focus on your problems and your needs , they will get bigger instead of disapear , so my adivce is find some other things to do , find some other "problems/Occupations" to make you forget them!.

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  4. Dear Anonymous...

    We all have our problems to cope with. I must admit that I can't really say that I have problems of my own. In fact I don't think I have any, for that matter.
    However, those people who are dearest to me keep on pressuring me all the time, involving me in their problems. So, at my young age I am faced with some difficult situations which are not mine to solve and which I swore I would never have to face.

    So your suggestion is for me to create problems of my own? Well, about that... I must say that, in fact, I did have a problem about three months ago. And when it came time I solved it without any difficulty. And I must say that I don't usually have any problems because I solve them as fast as I can otherwise they tend to become unsolvable. It is the problems of those who are close to me (Problems which are not mine to solve) that influence my life without any chance of me controlling them and that trouble me the most.

    As to finding an occupation… I already have two of those… They do their part in helping me cope, however, they are not substitutes for my feeling, therefore, they don’t solve problems, do they?

    And, by the way, if I only focused on my problems I bet I would be much happier. But what more can I say…? I always tend to sacrifice my own self for the well being of those few I love… Ah! Well! Not much to do about that now…

    P.S. If you read my text in Portuguese and understood it, why comment in English? Anyway, thanks for...

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